Repondo alguns pontos no i's e começando pelo que tenho em casa.
Os chineses são uns porcos!
Sim, eles são boas pessoas, gosto muito deles como colegas de casa. Mas chega mas há certas coisas que é demais. Primeiro, não sabem para que serve o piaçava; segundo não sabem para que serve a cortina da banheira; terceiro não sabem que quando se suja o chão normalmente limpa-se para não estar a sujar o resto da casa; quarto eles não sabiam que existiam umas máquinas que limpavam a loiça, um tal objecto tão estranho não tem grande utilidades aos seus olhos.
Seguindo para outro tópico.
Francesas irritantes!
E franceses também, mas esta em especial. Um tal monitora de um curso de estatística no semestre passado, loira, óculos, pequenina, como um voz que não tem outro adjectivo que irritante. E quando lhe digo que quero usar o meu computador porque programo mais rápido num teclado que conheço que no horrendo AZERTY francês, a gaja vira-se e diz "Mais écoute, tu fais se que tu veux!", traduzindo: mas escuta, tu fazes o que quiseres. Agora imaginem só até à primeira vírgula, uma voz irritante, a dar uns agudos estridentes na parte "éCOUte", com o nariz levantado, mas mesmo levantado até ao teto. Agora preguem o nariz ao teto, à martelada e bem forte...bam bam bam...e digam em voz alta "Mais écoute!!".
Só à chapada.
Pessoas na profissão errada é do pior.
Eu espero mesmo fazer algo que goste minimamente, e nunca ir parar à situação do Monsieur Mihoub, director da PSTI, associação para integração de estudantes no trabalho, associação essa que é responsável pelo meu apartamento. Não é que o homem tanto está a gritar aos berros, com os dentes que parece um cavalo, a gafanhotar (se me é permitido mais este abuso entre tantos neste obra lírica), e a (dizer não que aquilo não é falar. O termo é outro…é…isso!!) grunhir que é o director que tem que ser respeitado e que não pode esperar por mim 5 mins. Pah, ok, eu falhei. Eu deveria estar à hora que marcou, perdi o comboio que me punha lá a horas e apanhei o próximo, que me punha lá 5 mins depois da hora. E liguei para o senhor meia hora antes a dizer o que se passava. O senhor decidiu rebentar-me o tímpano, se me recordo do lado direito, mas ainda estou um pouco tonto e com um zumbido estranho. Até aí, pah, eu só tinha que baixar a bola, desmanchar-me em desculpas por 5 mins de atraso e ainda ter avisado antes. Quando cheguei tive que ir à sua procura, e foi com uma sorte descomunal que o encontrei (graças a um local simpático…não são todos maus, mas também se contam pelos dedos de uma mão). Quando encontro o dito senhor o homem é a pessoa mais doce do mundo, mais prestável do mundo, mais amigável que já vi à frente dos serviços de uma associação ou algo equiparado (diga-se de passagem não conheço assim tantas). Como é que é possível?? O homem mudou completamente de postura, diria até de personalidade mas não sou psicanalista. Já os meus colegas que vivem noutro lugar também da PSTI dizem que o homem é mesmo louco. Eu a pensar que era o meu charme português que ele tanto gostava. Isto foi no primeiro dia que fui para Orly, 15 de Outubro 2009, e desde então o senhor é tanto é simpático como a pior pessoa que se pode conhecer no mundo. Enfim, não mudou muito, ou melhor, nada!!!
E quando os serviços são piores que em Portugal,
(não vou usar palavrões mas apetecia um mesmo agora).
Pah, ida ao hospital, porque caí de bicicleta na noite de halloween. No dia seguinte fui ao hospital. Fui tratado impecavelmente. Não paguei nada, e a senhora disse que me mandavam a conta para casa (e se eu desse a morada errada?? É que confirmação foi zero…adiante). Um mês e pouco depois recebo uma cartinha do hospital com a dita cuja. Depois de ler e reler para confirmar, dispunha das seguintes hipóteses:
-Pagar por inteiro sem seguro ou segurança social, cerca de 50 euros
-Pagar parte com cobertura social/seguro, cerca de 14 euros
-Isento se se incluir em determinadas condições
Perante as minhas complicadas opções, como foi óbvio estava na segunda hipótese. Tenho segurança social portuguesa, que só por acaso está na UE, que só por acaso a França é um dos países fundadores. Tenho cartão europeu de saúde, papelada, tudo em ordem. Fui ao hospital, e na tesouraria mandam-me para um outro local porque ali não tinham fotocopiadora a funcionar e precisavam de cópia da minha identificação. Tudo bem, acontece. Fui parar ao outro sítio, curiosamente ao lado das urgências onde fui atendido, e esperei pela minha vez. Lá fui atendido, mostrei os papeis ao senhor, ele tirou-me cópia do BI e da minha conta a pagar, e depois…pah…e depois foram 15 mins de frustração completa das duas partes, e assim já de preparo para o que vem, foi das poucas pessoas que me apeteceu espancar violentamente em França.
Ora bem, o homem vira-se e diz (ad libitum vou traduzindo) "O seu cartão Vitalis, por favor!", cartão de segurança social francês, que eu, como bom cidadão não francês, não tenho. E expliquei ao senhor: "Eu sou estudante estrangeiro, universitário, em Erasmus, só estou aqui um ano e não tenho segurança social francesa. Sou português e tenho segurança social portuguesa. Mas, tenho comigo um cartão europeu de saúde" , que lhe passei rapidamente. Isto com a maior das calmas. O homem olha para aquilo 30 secs e diz, "Não serve, isto não é reconhecido, quero o seu cartão Vitalis." ALTO…algo não foi bem entendido. Ok que o meu francês não é fantástico (aqui entre nós eu acho que é perfeitamente bom e compreensível, até porque eu não falo rápido e de nariz empinado como certas monitoras de cursos de estatística que me metem os nervos em pé…assim muito alto….assim pregados no teto…enfim). Lentamente expliquei, com menos palavras, e com aquelas mais sonantes -as palavras chave- (quase parecia um concurso): "Eu não sou francês, eu sou português. Eu não tenho cartão Vitalis porque não sou francês, sou português. Tenho aqui o meu cartão português e tenho também um CARTÂO EUROPEU DE SAÚDE!!". Mostrei-lhe ainda o meu seguro de estudante.
Pah, das duas uma, ou percebeu ou está a gozar com minha cara. Acho que foi mais a segunda opção. Ora bem, o senhor muito delicadamente (coff coff coff…exacto, delicada, suave e simpaticamente…ou talvez não) disse-me (apetecia usar grunhir outra vez, mas acho que o Monsieur Mihoub é o mestre dos grunhos, simpática, suave e delicadamente). Portanto, gozando com a minha cara, o senhor diz: "Quero o seu cartão Vitalis, sem isso tem que pagar por inteiro."
E foi daqueles momentos em que o tempo pára, olhamos à volta e tudo está suspenso, imóvel, intocável, e pensamos:
Estamos em Portugal??
Não!!
Estamos onde??
Em França!!
Estamos a falar a mesma Língua?
Sim (bolas, de certinha que me entendeu…não tenho dúvidas)!
Então porque é que uma situação (que até deve ser comum num hospital publico, daquela dimensão, ao lado de duas ou três grandes universidades), a receber um cidadão estrangeiro, porém Europeu (prestar atenção a isto que acabei de escrever) e isto não funciona fácil e simplesmente??
A resposta é profunda, mas reduzindo a muito pouco, os franceses desta geração (40's pa cima) pela minha perspectiva, não gostam muito de estrangeiros. Pedi atenção à pouco por isto. Se inverter a franze anterior quase que demonstra a mente de um francês destas idades: Eles não recebem cidadão estrangeiro Europeus, eles recebem Europeu que, e principalmente, são ESTRANGEIROS, e como tal, não merecem a consideração de um Europeu FRANCÊS. Claro que isto não é comum a todos, e os outro contam-se pelos dedos da outra mão (que já usei uma mais acima). Ou seja, entre 5 a 10 franceses que se podem dizer simpáticos, e sem contar com família, não há cá batota.
Seguindo com o sucedido, repeti exactamente o que disse da primeira ainda com menos palavras e quase a falar em infinitivo. Abusando seria: "Eu não ser francês, eu ser português, união europeia, cartão europeu de saúde. Devia funcionar."
Qual disco riscado a roçar os ultra-sons: "A sua carta Vitalis por favor, se não paga tudo por inteiro."
É que nem era pela diferença que ia deixar de pagar. Pagar os 50 euros não me fazia diferença nenhuma, e da maneira que fui cuidado dentro do hospital, até merecia os 50 euros. A questão era tão somente o absurdo da situação. Tive a um cabelinho de me passar dos carretos. E com mais uma dose suprema de paciência expliquei em texto mais elaborado que anteriormente: "Não tenho carta Vitalis. São cidadão Europeu, isto não é válido?? Disseram-me em Portugal que era necessário utilizar isto aqui em caso de vir ao hospital, e agro ao senhor diz-me que não serve para nada. Você veja lá bem os meus documentos."
O homem pega naquilo pela quinta vez, ou lá perto, e começa a teclar com se os dedos fossem mais pesados e mais duros que martelos a pregar pregos longos e fortes em superfície de aço. Pah, grrrrrrrr….o homem vira-se como um tom desprezível e diz que me colocou numa categoria qualquer parva, que era o máximo que me podia fazer…(aqui vinha outro palavrão que deixo ao vosso critério). Então e fazerem as coisas como deve ser, eu não tenho que ter carta Vitalis sendo estrangeiro, estou na União Europeia como ele, estou num dos países fundadores da dita "União", tenho os documentos todos que quase me obrigaram a trazer de Portugal, tudo em dia e em ordem, e o tipo tem a LATA de me dizer que me está a fazer um favor???? (mais palavrões e mais e mais e mais). Estou eu a engolir aquilo, a pagar só os 14 euros como era bonito e como deveria ser, toma lá dinheiro, manda pa cá os documentos, e depois viro-me pa ele: "Mas e então??? Funcionou ou não funcionou?!?!?" com um pouco (muuuuuiiiiiiitooooooooooo )de escárnio à mistura. Ele lá barafustou mais um bocado.
Sinceramente, nunca tinha sentido um estado de tal irritação com serviços públicos…
ok, talvez nas finanças em Portugal…
e no notário em Portugal…
e também no médico em Portugal…
E foi aqui, neste exacto momento desta corrente de pensamentos, que veio a minha profunda e instintiva agressividade…Apetecia mesmo bater-lhe. Nele porque representava os serviços que não eram nem portugueses nem de nenhum país subdesenvolvido. Estamos em FRANÇA, coração da EUROPA!! (asneiras e mais asneiras, desta vez em francês, pa ser mais chique). E no fim uma expressão tão simples, tão portuguesa,
"Pah, mas que coisa!"
(Palavrões, asneiras, vernáculo, decibels elevados e em todas as 5 línguas que falo)
Não que isto tenho terminado…mas já chega de desalvorar por hoje.
Panda,
A beber e a afogar as mágoas em cerveja de uma vida nem sempre fácil em França
PS: Este post foi mesmo à tuga. São as minhas raízes que ainda pegam forte....bahhhh...a ver se bebo mais e só digo coisas boas e lindas do mundo!